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17.12.11
9.12.11
Carte Blanche John M Armleder | Palais de Tokyo








All of the Above é uma curadoria/obra do suíço John M Armleder apresentada dentro do quadro Carte Blanche, em que o Palais de Tokyo convida artistas para curar uma exposição. A intenção é compreender este artista através de suas escolhas curatoriais, dando "carta branca" ao projeto.
Aqui, os trabalhos são apresentados em um sala escura, em cima de um palco e com luz direta sobre eles, todos agrupados uns por cima dos outros, de forma que não podemos percebe-los individualmente - é proibido até dar a volta pois há uma linha no chão que nos mantém afastados do conjunto. Na frente do palco, um pouco longe, foram dispostos alguns bancos, destes que os museus geralmente colocam na frente de obras importantes ou de leitura mais demorada, além de um mapa com informações sobre cada objeto.
As outras edições da Carte Blanche, de Adam McEwan, Ugo Rondinone e Jeremy Deller, foram boas exposições, porém apresentadas de forma mais tradicional (nos limites do que o Palais de Tokyo pode ser tradicional). O surpreendente em All of the Above é que Armleder não mudou a chave de artista para curador de forma automática, respondendo de forma ambígua a demanda pela sua mão de obra tanto de artista como de curador.
23.8.11
Sophie Calle | Palais de Tokyo

O Palais de Tokyo inagurou seu novo espaço expositivo de 9000 m2, ainda em obras, com a exposição "Rachel Monique", de Sophie Calle. Até então, o anexo ainda estava separado do resto do museu por uma pequena entrada subterrânea mas o plano é reconfigurar todo o espaço, com inauguração prevista para a primavera de 2012. Ou seja, a exposição de Sophie Calle aconteceu literalmente em um canteiro de obras, inclusive com algumas areas ainda interditadas.
A exposição é uma homenagem à sua mãe falecida, Rachel. Sophie escreve no texto de abertura que ela era bastante vaidosa e se ressentia de não ser assunto das obras da filha - quando a artista colocou uma câmera de vídeo em seu leito de morte, a mãe exclamou: "enfim!" (o vídeo da mãe agonizando é apresentado nesta exposição).
Sophie usa aqui alguns procedimentos que lhe são característicos, como a acumulação, a repetição, listas e inventários, maneiras obsessivas de cercar totalmente um assunto (como as 300 mulheres que leram e interpretram sua carta de rompimento em "Prenez soin de vous", mostra levada ao Sesc Pompeia paulistano pelo Videobrasil). A palavra "Souci" (preocupação), a preferida de sua mãe, aparece diversas vezes, em diferentes materiais e suportes. Há uma lista de todos os objetos que foram enterrados junto ao corpo da mãe e também o registro em foto. Placas de mármore gravadas com nomes de doenças são agrupadas no chão. Um mural com fotos de sua mãe em diversas fases da vida e outros objetos pessoais também são expostos. A narrativa, real ou ficcional, aparece em alguns trabalhos desta exposição, como na série de vídeos e fotos da viagem de navio que a artista fez para atirar as jóias de sua mãe ao mar - ou simplesmente na necessidade de contar a histórias dos objetos através de bilhetes e cartazes como, por exemplo, a girafa empalhada que vem acompanhada de um texto revelando que comprou o objeto para seu ateliê depois que sua mãe morreu, para se recordar de seu olhar sempre altivo, "vindo de cima". A exposição é obcecada por objetos mas de alguma forma eles não são tão importantes. Como na exposição "Prenez Soin de Vous", que foi uma exposição sobretudo de fotografias de grande apelo formal, porém totalmente secundárias.
Apesar do novo espaço subterrâneo se assemelhar a uma grande tumba, algo que destoou nesta exposição do Palais de Tokyo foi a expografia, que incorporou o contexto do canteiro de obras de maneira bastante literal e apresentou os trabalhos de forma "rústica", usando como suporte as caixas de transporte de obras, estruturando uma sala de vídeo em sacos de cimento (e dentro, o vídeo de Rachel no leito de morte), escolhendo a parede com os buracos mais decorativos para projetar um vídeo ao lado. Uma apresentação tosca milimetricamente calculada. Estranho, se levarmos em conta que Sophie Calle geralmente é bastante exigente e inteligente na apresentação de seus trabalhos.
FIAC | Grand Palais e Louvre
Algumas galerias se destacaram e mostraram seleções mais interessantes, como Florence Loewi (Paris), Zürcher (NY-Paris), Jousse Enterprise (Paris), Semiose (Paris), Lombard Freid (NY). Feira de arte contemporânea é uma boa oportunidade para ver centenas de trabalhos recentes e sem nenhuma afetação, pois está tudo amontoado: o carpete cinza faz tábula rasa. Como tem muita coisa, a gente não perdoa e só lembra depois de 5% que interessam.
Após passar uma tarde vendo centenas de trabalhos recentes dos artistas de galerias de várias partes do mundo, fica a impressão de que paira no ar uma certa tendência ao absurdo, um tipo de arte sem pé nem cabeça, despretensiosa, onde o maior compromisso parece ser tirar sarro dela mesma. Como essas esculturas das fotos: arco-íris gigante em papel maché, cinzeirão degradé, caçamba de lixo em relevo religioso ou o poste jogado no chão. Uma pista: a FIAC edita e distribui essa revista chamada "Le Marché de l'art contemporain - le rapport annuel Artprice" ("O mercado da arte contemporânea - relatório anual Artprice) e, nesta edição, encontramos uma tabela sobre a valorização e desvalorização de alguns artistas, sendo que Martin Kippenberger aparece como um dos mais cotados, tendo valorizado astronomicamente entre 2009 e 2010. Será que isso explica?
Após passar uma tarde vendo centenas de trabalhos recentes dos artistas de galerias de várias partes do mundo, fica a impressão de que paira no ar uma certa tendência ao absurdo, um tipo de arte sem pé nem cabeça, despretensiosa, onde o maior compromisso parece ser tirar sarro dela mesma. Como essas esculturas das fotos: arco-íris gigante em papel maché, cinzeirão degradé, caçamba de lixo em relevo religioso ou o poste jogado no chão. Uma pista: a FIAC edita e distribui essa revista chamada "Le Marché de l'art contemporain - le rapport annuel Artprice" ("O mercado da arte contemporânea - relatório anual Artprice) e, nesta edição, encontramos uma tabela sobre a valorização e desvalorização de alguns artistas, sendo que Martin Kippenberger aparece como um dos mais cotados, tendo valorizado astronomicamente entre 2009 e 2010. Será que isso explica?
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